Infertilidade – será mesmo?

Muitas mulheres que me procuram foram encaminhadas para uma consulta de infertilidade porque estão a tentar engravidar há x tempo e não conseguem.
Outras, chegam-me já depois de terem feito os exames da praxe e com um diagnóstico de “infertilidade inexplicada” porque “está tudo bem” mas continuam a tentar sem sucesso…

Não é raro ver estas mulheres questionarem-se sobre “porquê elas?” e que não suportem ter grávidas por perto… É comum que deprimam, que se isolem, que sofram uma dor que mais ninguém consegue compreender – exceto as que estão no mesmo barco.

Apesar de cada caso ser um caso – e de haver mulheres com diagnósticos de infertilidade efetivos e por quem posso fazer pouco – já perdi a conta às mulheres “inférteis” que ajudei a engravidar nestes 7 anos e escrevo este post hoje porque só na última semana recebi notícias de mais 3 casais felizes.
Milagre? Nem de perto.

Precisamos, para começar, distinguir o que é uma situação de infertilidade efetiva e uma condição de sub-fertilidade. Diria que 8 em cada 10 mulheres que me procura está nesta última situação.

Infelizmente, a informação devida não circula – nem mesmo por parte da classe médica – no sentido de orientar estas mulheres devidamente e aplicam-se protocolos, a torto e a direito, de soluções genéricas que são altamente onerosas do ponto de vista emocional e, até, financeiro.
Se estão a tentar engravidar há 6 meses ou há 1 ano (dependendo das idades do casal) sem resultados, seguem para consulta de INFERTILIDADE – assim, escrito em maiúsculas porque é sempre um soco no estômago ouvir que eventualmente só se conseguirá ter bebés via tratamento.

O conhecimento dos ciclos e dos indicadores de fertilidade permitem-nos reduzir a probabilidade de receber  este tipo de (má) orientação sem a questionar.
O problema é que a maioria das mulheres não possui níveis aceitáveis de literacia corporal para contrapor o que é dito em consultório e a vulnerabilidade instala-se. Depois a depressão, o isolamento e o sentimento de falha – corroborado e reforçado a cada tratamento que não devolve resultados positivos.

Mas vamos lá então à sub-fertilidade. Em que situações posso dizer que estou sub-fértil? ou seja, temporariamente incapaz de fazer uso da minha capacidade de reprodução.

  1. “Não identifico corretamente os meus 6 dias (SEIS no máximo!) de janela fértil”: estima-se que menos de 20% das mulheres identifica corretamente a fase de ciclo em que pode engravidar. O óvulo após ser libertado tem uma viabilidade de 12 a 24 horas e não ovulas obrigatoriamente a meio do ciclo (se ainda estás a usar uma app baseada no método do calendário, decerto perdeste este post 😉 ) pelo que uma pequena falha nas “contas” pode colocar em causa um mês inteiro de tentativas!
  2. “Tenho síndroma de ovários poliquísticos – SOP – corretamente diagnosticado”: como o nome indica (“síndroma”) esta condição prevê um conjunto de fatores que resulta em ciclos irregulares o que torna mais difícil (mas não impossível!) a deteção da janela fértil pois a ovulação é menos frequente que nas outras mulheres. (farei um post sobre este tema em breve). Em caso de dúvida, se o teu diagnóstico teve por base apenas uma mera ecografia, isso (ainda) não significa SOP.
  3. “A minha fase lútea é curta”: a fase pós-ovulatória é quando produzimos progesterona, hormona essencial a uma gravidez. Menos de 12 dias de fase lútea pode resultar em dificuldades em engravidar ou em manter uma gravidez.
  4. “Saí da contraceção hormonal há menos de 9-12 meses”: como já escrevi aqui, a contraceção hormonal não causa infertilidade mas pode deixar-te numa condição de sub-fertilidade durante “muito tempo” (leia-se, “tempo não compatível” com o prazo que o médico te deu para engravidar antes de te colocar o rótulo de “infértil”).
  5. “Estou hormonalmente desequilibrada”: o nosso corpo é uma máquina extraordinária de eficiência. Isto significa que se estiveres numa situação em que ele precisa focar-se em “coisas mais importantes”, vai dispensar e suspender o funcionamento do teu aparelho reprodutor e esperar melhores dias. Varia de mulher para mulher e pode ir desde coisas “simples” (como alterações de estilo de vida recentes, viagens de longo curso, alteração do ciclo circadiano, insónias constantes, má alimentação, medicação, pH vaginal desequilibrado, etc.) a questões de índole emocional e/ou de stress interno (desde luto, perda de emprego, fim de relacionamento, má relação com o corpo, entre outras).

As boas notícias são: todos estes pontos são reversíveis e a sua resolução não tem de passar, obrigatoriamente, por um tratamento de fertilidade!
A sub-fertilidade é uma condição temporária.
Se estás a tentar engravidar, lembra-te que a desinformação e a iliteracia corporal são os teus piores inimigos.

O próximo workshop (nível 1) será em Lisboa, no Outono.

As sessões individuais acontecem o ano todo, via skype ou pessoalmente em Lisboa ou Paço D’Arcos.

Até já!

 

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