9 fatores que influenciam a fertilidade

O que influencia a nossa fertilidade? Este é um assunto a que não damos muita importância até nos depararmos com a dificuldade em engravidar.

Precisamos mudar mentalidades porque o segredo está na “prevenção” e não na remediação. Quero com isto dizer que sim, sou das que acha que as adolescentes – que estão longe de pensar em ter filhos – precisam saber de que forma podem gerir o seu capital fértil desde logo.

No outro dia, alguém dizia “passei os vinte anos a rezar para não engravidar e os trinta a rezar para ficar grávida”. As orações aqui não costumam ajudar por isso vamos a factos.

Sabemos hoje que, ao contrário do que parece acontecer com algumas situações da fertilidade masculina, não é o deixar cair de hábitos nocivos à nossa saúde reprodutora que melhora a nossa fertilidade, mas sim o garantir da sua manutenção e boa gestão durante os  anos férteis.

Então, o que precisamos ter em conta?

  1. Genética: apesar deste fator ter as costas largas e de gostarmos de lhe atirar tudo para cima, parece que há condicionantes genéticas que influenciam a velocidade de degradação da nossa fertilidade. Para já, a idade da menopausa da mãe funciona como um indicador “em bruto” e espera-se que em breve existam testes que ajudem a fazer esta avaliação de forma precisa.
  2. Idade: as probabilidades de engravidar a cada ciclo diminuem à medida que os anos avançam. Num pico de fertilidade, um casal apresenta cerca de 25% de probabilidade de engravidar a cada ciclo. Aos 43 anos as probabilidade de engravidar com a recurso a processos medicamente assistidos é inferior a 5% segundo dados da American Society for Reproductive Medicine; (Tenho uma cliente de 44 anos que teve bebé há cerca de 3 semanas. Engravidou naturalmente no 8º ciclo, mas temos de ser realistas: as estatísticas não estão do lado da maioria das mulheres acima dos 40).
  3. Níveis hormonais: esta parece óbvia mas às vezes não é 🙄: níveis de estrogénio, de progesterona, hormona luteinizante, foliculo-estimulina, cortisol, prolatina… Todos contam.
  4. Questões anatómicas e fisiológicas: obstrução de trompas, doença inflamatória pélvica, perturbações no tecido endometrial, alterações físicas de nascença em termos de aparelho reprodutor ou útero podem impedir a fecundidade.
  5. Histórico clínico: infeções sexualmente transmitidas que não foram tratadas ou permanecem silenciosas, tratamentos de quimioterapia ou radiação, miomas (dependendo das suas dimensões e localização – habitualmente os subserosos e intramurais) também podem reduzir as probabilidades de sucesso. Doenças crónicas ou auto-imunes (lúpus, hashimoto, diabetes…)
  6. Peso: Se tiveres baixo peso, o sistema reprodutor pode entrar em shut down e suspender o seu bom funcionamento; se tiveres excesso de peso, o tecido adiposo (acumulando estrogénio) pode provocar perturbações no ciclo menstrual.
  7. Tabaco, álcool e drogas recreativas: o consumo de ambos tem impacto nocivo na nossa fertilidade no médio prazo. É usual ver mulheres a deixar de fumar quando tentam engravidar mas precisamos compreender que o ideal é não fumar de todo. Quanto ao álcool, a algumas mulheres bastam 5 bebidas por semana para o seu corpo reagir de forma negativa em termos de fertilidade. As drogas recreativas, como deves ter adivinhado, estão totalmente contra-indicadas.
  8. Medicação: Há muitos medicamentos que podem interferir com o nosso ciclo menstrual. Vão desde ansiolíticos, antibióticos, analgésicos, ou outros para doenças crónicas. Uns podem ter uma ação pontual, outros uma ação mais prolongada.
  9. Estilo de vida: perturbações no ciclo circadiano e na qualidade do sono, atividade física de alta intensidade ou uma vida sedentária, consumo excessivo de cafeína (apesar da informação contraditória do seu impacto na fertilidade, tenta não exceder os ±200mg/dia), subnutrição e alguns tipos de contraceção hormonal (como a Provera, por exemplo)…

Parece tudo muito simples e muito claro mas em rigor estamos perante um quadro que inspira pouca confiança nisto da fertilidade e da fecundidade quando olhamos as estatísticas  de saúde das mulheres portuguesas…

Resta recordar que o ciclo menstrual é o 5º sinal vital da saúde da mulher. É através do seu ritmo e expressão (menstruação incluída) que temos a possibilidade de ir despistando se há desequilíbrios ou situações que precisam cuidado. É um barómetro de saúde interno a que precisamos estar atentas para agir quando necessário.

Bons ciclos!

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