dores menstruais

Dores menstruais

As dores menstruais (dismenorreia) fazem as mulheres odiar os dias de período e são também um dos principais motivos para o início da toma de contraceção hormonal entre as jovens.

Este é um primeiro post sobre este tema pelo que escolho hoje falar-vos da dor menstrual incapacitante e intolerável porque esta, quando existe, é sinal de que algo vai mal no país do ciclo menstrual, onde habitam as vossas hormonas.

Antes de mais é preciso compreender que o desconforto associado aos dias de menstruação sentido por algumas mulheres – inchaço e incómodo abdominal ou na zona dos “rins” – se prende com o facto do útero ser um músculo e de este precisar de se contrair para ajudar à libertação do endométrio (revestimento uterino) quando não estamos grávidas. (Se sofres deste tipo de desconforto no primeiro dia menstrual ou no dia de maior fluxo, tens uns adesivos menstruais na loja da Saúde Feminina que te podem ajudar.)

Como já expliquei aqui e aqui, este revestimento fica reduzido quando tomamos contraceção hormonal pelo que o esforço para a libertação do mesmo é proporcionalmente menor. Problema resolvido? Nem por isso…

Existem vários fatores que contribuem para a dismenorreia e que vão desde o posicionamento do útero, à alimentação, níveis de stress, grau de hidratação, consumo de álcool, etc.

Mas importa reter que a dor menstrual forte (*) não é normal e que usualmente está associada a condições de saúde ginecológica que necessitam ser endereçadas – mesmo que te digam que “está tudo bem”! Porque não está e tu consegues senti-lo, literalmente, no teu útero!

Depois, interessa relembrar que a contraceção hormonal, por suspender o ciclo menstrual, não resolve as causas subjacentes ao sintoma (neste caso, a dor), funcionando apenas como solução imediata, pelo que, quando a parares, é possível que tudo volte ao que era.

Habitualmente, a dismenorreia faz-se acompanhar de menorragia que é como quem diz “fluxos abundantes”. Apesar da maioria das mulheres não ter ao certo noção da quantidade de sangue no seu fluxo menstrual, se enches 16+ pensos higiénicos ou tampões durante uma só menstruação, é possível que tenhas o que consideramos ser um desses fluxos (>80ml).

Deixo aqui algumas das principais causas para a combinação fluxo abundante/dor menstrual forte e incapacitante para que, se este for o teu caso, possas ter pistas para falar com o teu médico.

1. Saída da contraceção hormonal
Esta é fácil. Quando o teu corpo volta a menstruar, depois de anos com hemorragia de privação, é normal que notes diferença no fluxo e, por isso, nas dores. Se já sofrias de dores anteriormente e se estas te impedirem de viver normalmente o teu quotidiano ao fim de alguns ciclos sem hormonas artificiais, é possível que tenhas de despistar as hipóteses abaixo.

2. Endometriose / Adenomiose
Caracteriza-se pela existência e proliferação de endométrio fora do útero, podendo chegar aos outros orgãos pélvicos (bexiga, intestinos, ovários, trompas) mas também aos pulmões, por exemplo.
A adenomiose é chamada muitas vezes de “endometriose do útero”: pauta-se pelos mesmos mecanismos mas na parede uterina, que aumenta de tamanho/espessura.
Em Portugal estima-se que uma Endometriose – uma doença com implicações sérias em termos de saúde e com impacto ao nível da fertilidade da Mulher – possa levar entre 5 a 10 anos a ser diagnosticada).

3. Síndroma de Ovários Poliquísticos
Este é um diagnóstico comum em Portugal (a maioria das vezes sobrediagnosticado mas deixemos isso para um outro post) mas não podemos subestimar que o conjunto de fatores hormonais que fazem desta condição uma síndroma, resultam em menstruações ausentes ou irregulares, e que quando se apresentam podem ser extremamente abundantes e por isso dolorosas.

4. Fibróides uterinos / Miomas
É comum as mulheres desenvolverem algum tipo de fibróides durante a sua vida. São comummente tumores benignos associados a elevados níveis de estrogénio. Dependendo da sua localização e dimensão, podem interferir mais, ou menos, com as menstruações. Quando o fazem, provocam dores e fluxo abundante.

5. Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
Caracteriza-se por uma inflamação mais ou menos generalizada dos orgãos genitais internos e que pode ser mais ou menos silenciosa em termos de sintomatologia. Tem por base uma qualquer infeção bacteriana, transmitida sexualmente (90% dos casos), pode tornar-se crónica ou de repetição e por isso ter consequências graves na fertilidade da Mulher.

Algumas destas condições apresentam outros sintomas (dores durante a relação sexual, alterações intestinais, náuseas ou vómitos, febre…) e existem medicações (as anti-coagulantes, por exemplo) que podem resultar em fluxos mais abundantes e dor consequente, pelo que cada situação deve ser olhada cuidadosamente e de forma individual. Primeiro por ti. Depois, em conjunto com o teu médico.

O primeiro passo é deixares de ver a menstruação como uma inimiga porque se dói muito é porque algo está errado, e esta é a forma que o teu corpo tem de te dar um sinal 😉

Bons Ciclos,

(*) todas respondemos de forma diferente à dor. O que dói muito para umas, para outras é um passeio na avenida. Aqui, quando se fala de dor forte, referimo-nos a uma dor incapacitante, daquelas que te impede de fazer a tua vida normal, de trabalhar, de andar, etc…

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